domingo, 19 de maio de 2013

TÉCNICAS DE INTERPRETAÇÃO ANTAGÔNICAS: EXEGESE X EISEGESE

Informo o amado leitor que em todas - ou quase todas – as matérias que escrevo, gosto de observar não só o superficial, mas também o profundo; o pequeno detalhe, assim como a generalidade. Ao ler este artigo o leitor entenderá a importância do detalhe e o que esta representa no sentido da frase e em todo o conjunto escrito; uma simples “letra” pode fazer toda a diferença. No universo das palavras, a investigação das minudências serve para detectar e/ou descobrir o erro da “eisegese”; esta, vez e outra se passa por exegese aos olhos dos incautos. Devemos justificar nossos erros sob pretexto dos erros alheios? - Absolutamente, não!

 “Ter os sentidos aguçados para detectar incorreções não é procurar pelo em ovo; mas identificar sua trincadura, rachadura.” (Romário N. Cardoso). 

Palavra – Conjunto de sons articulados com uma significação. 

Sobre o tópico supra, farei menção de um versículo da Bíblia: 

“Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.” (Mateus 19.12 – Almeida Corrigida Fiel). 

Uma pergunta: - Podemos “correlacionar” a expressão “eunucos que assim nasceram do ventre da mãe” (Mateus 19.12) com efeminados, ou, que tal versículo deve ser aplicado ao contexto do tema homossexual? – Absolutamente, não! Que correlação há entre Mateus 19.12 com efeminados? – Nenhuma! Por correlação, entende-se que é termo análogo - idêntico - de convergência, nexo. Mas o texto de Mateus 19.12 nada tem de convergência (correlação) com efeminados. Os homossexuais são indivíduos que tem inclinações sexuais por pessoas do mesmo sexo, ao passo que os eunucos são uma classe distinta tanto do homossexual quanto do heterossexual exatamente por não terem atração sexual por pessoas do mesmo sexo nem pelo sexo oposto; o eunuco é “NEUTRO” (se assim podemos defini-lo numa forma mais curta). 

É contraditório “correlacionar” um versículo (TEXTO) Bíblico a outro contexto se este não se relaciona com aquele, afinal, há um sábio ditado evangélico que diz: - “TEXTO SEM CONTEXTO É PRETEXTO PARA HERESIA”. 

Vejamos o sentido da devida passagem de Mateus 19.12, em outra versão da Bíblia:

 “Alguns nascem sem a capacidade de casar-se; alguns são incapacitados pelos homens, e outros recusam-se a casar por causa do Reino dos Céus. Todo aquele que puder, aceite o que Eu digo.” (A Bíblia Viva). 

Correlacionar uma expressão com um tema completamente distinto, é lançar mão da “eisegese”, que é o antônimo da pura exegese, confira: 

“Eisegese 
Antônimo da exegese. De acordo com a hermenêutica sagrada, a exegese é a Bíblia interpretando-se a si mesma. Na eisegese, o leitor impinge ao texto sagrado a sua própria interpretação. A exegese é a mãe da ortodoxia. Já a eisegese pode dar origem a muitas extravagâncias doutrinárias. Ela gera o misticismo, e este acaba por dar à luz aos erros e aleijões teológicos. Levemos em conta também que a eisegese é própria da especulação que, por sua vez, é a principal característica da Filosofia. Ora, se o nosso compromisso é com a teologia [estudo da Palavra de Deus], subtende-se que a matéria-prima de nossa lide é a revelação. Logo, a exegese é a nossa principal ferramenta. A Palavra de Deus não precisa de interpretação particular, porquanto interpreta-se a si mesma. Ela reivindica tão-somente a nossa obediência.” (Corrêa de Andrade, Claudionor. Dicionário Teológico, Nova Edição Revista e Ampliada, Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores, pág. 158. 19ª Impressão: 2010, CPAD, Rio de Janeiro, RJ, Brasil). – O colchetes é meu. 

Destarte, o termo exegese é sinônimo de “pureza, veracidade, verdade,” em razão disto não devemos lançar mão da eisegese por ser o antônimo e oposição da "exegese" (pureza, veracidade, verdade). Usando-se da eisegese, nenhum poeta estará facilitando o entendimento Bíblico ao leitor, pelo contrário, distancia-o da pureza, veracidade e verdade da Palavra de Deus. Acertadamente, é dito que a EXEGESE é a mãe da ortodoxia; em contraste, a EISEGESE é mãe da heterodoxia, da inautenticidade, impureza, pois lança para dentro do texto conjecturas errôneas, espúrias. 

O intérprete que lança mão da exegese, procura arrancar para fora do texto o puro leite da Palavra de Deus para alimentar a alma faminta. Contrariamente, o que lança mão da eisegese arranca da própria imaginação (sinônimo de conjectura) aquilo que não possui apoio na passagem em exame.  

A verdadeira interpretação provém da exegese, mãe da ortodoxia:

“Exegese 
[Do Gr. ek + egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto] É a prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos sagrados que formam o Antigo e o Novo Testamento. Vale-se a exegese sagrada, pois, das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), da confrontação dos diversos textos bíblicos e das técnicas aplicadas na lingüística e na filologia.” (Corrêa de Andrade, Claudionor. Dicionário Teológico, Nova Edição Revista e Ampliada, Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores, págs. 178, 179. 19ª Impressão: 2010, CPAD, Rio de Janeiro, RJ, Brasil). 

Sobre o vocábulo “eunuco”, tal termo é formado do substantivo “euné” (leito) e do verbo “echõ” (segurar), literalmente o termo significa “guarda do leito, eunuco”. A vulgata Latina traz o vocábulo “eunuchus”. Em o Novo Testamento Hebraico (Brît haDashah îvrit), para “eunucos” (Mateus 19.12) consta o plural “sarîsîm” (eunucos), cujo singular “saris” nas devidas passagens significa “eunuco, ministro, palaciano, prefeito” (Gn 37.36; 1Sm 8.15; 1Rs 22.9; Is 56.4; Jr 29.2; Est 1.10; Dn 1.3; 2Rs 18.17). Em Gênesis 39.1, o termo hebraico “sarîs” (eunuco) é traduzido por “oficial”; assim, o oficial de Faraó era um eunuco, embora casado (Gênesis 39.7). Fica claro pela devida passagem que a mulher de Potifar era carente e procurou persuadir José para que se deitasse com ela, em razão de seu marido ser eunuco, isto é, não inclinado aos desejos sexuais em razão de ser castrado. 

Os eunucos, portanto, não podem gerar filhos por não terem inclinações sexuais. Para os que viveram sob a tutela da Lei de Moisés, Deus fez a seguinte promessa não só aos judeus, mas aos estrangeiros que viveram entre eles: 

“Essa promessa não é só para os judeus; é para as pessoas de outras nações que me obedecem e vivem entre eles. É para os que perderam a capacidade de ter filhos também. Eles não serão separados do meu povo! O Senhor promete a esses homens que não podem ter filhos: Se vocês guardarem os meus dias de descanso, fizerem a minha vontade, e obedecerem a minha Lei, Eu lhes darei na minha casa, dentro dos meus muros, uma honra muita maior do que ter muitos filhos e filhas. Eu darei a vocês um nome eterno, que nunca vai ser esquecido.” (Isaias 56.3, 4, 5 - A Bíblia Viva). 

 A função deste blog é exatamente analisar argumentos à luz da Palavra de Deus. 

“Análise 
[Do Gr. análysis] Ato ou efeito de analisar. Separação das diversas partes de um todo, tendo em vista conhecer-lhe a natureza, as proporções, as funções e as relações. Exame pormenorizado e crítico.” (Corrêa de Andrade, Claudionor. Dicionário Teológico, Nova Edição Revista e Ampliada, Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores, pág. 43. 19ª Impressão: 2010, CPAD, Rio de Janeiro, RJ, Brasil). 

É o que faço. 

Finalizando, diz certa máxima latina: - “Bene docet, qui bene distinguit” (ensina bem quem distingue bem).

Deus vos abençoe.

Romário N. Cardoso 

Fontes:

• A Bíblia Sagrada – Almeida Corrigida Fiel. São Paulo, Brasil. SBTB. 2007; 
• . London. Trinitarian Bible Society - T.B.S.; 
• TORAH, Antigo Testamento Interlinear Hebraico – Português, SBB; 
• החדשה והברית כתובים נביאים תורה. London. Trinitarian Bible Society – TBS; 
• Bíblia Sacra Vulgata – Iusta Vulgatam Versionem. Sociedade Bíblica do Brasil, 2011; 
• Rusconi, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. 2ª Edição, 2005. São Paulo, Brasil. Paulus; 
• A Bíblia Viva, 2ª Edição. Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, São Paulo, Brasil; 
• Alonso Schökel, Luis. Dicionário Bíblico Hebraico – Português. 3ª Edição, 2004. São Paulo, Brasil. Paulus; 
• Corrêa de Andrade, Claudionor. Dicionário Teológico – Nova Edição Revista e Ampliada - Um Suplemento Bibliográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores. 19ª Impressão, 2010. Rio de Janeiro, Brasil. CPAD; 
• Houais, Dicionário Sinônimos e Antônimos – Versão Ampliada – Nova Ortografia, 2ª Edição, Publifolha, São Paulo – SP, Brasil.  
. http://bereiano.wordpress.com/2013/05/17/eunucoueu/#comment-3088

quarta-feira, 10 de abril de 2013

NESTE LIVRO, O AUTOR DEMONSTRA O SIGNIFICADO BÍBLICO QUANDO SE PRATICA TAL ENSINO, ALÉM DE REFUTAR AS MAIS VARIADAS ERÍSTICAS SOBRE O TEMA. TAL EXEGESE É APLICADA CONTEXTUALMENTE, ISTO É, VERSÍCULO POR VERSÍCULO; AJUDANDO O LEITOR NÃO SÓ A COMPREENDER O SENTIDO ESPIRITUAL TRANSMITIDO, MAS TAMBÉM O CONHECIMENTO DAS PALAVRAS ORIGINAIS E SUA DEVIDA APLICAÇÃO DENTRO DO CONTEXTO.

AS CIDADES DE REFÚGIO X A IGREJA



Certo líder religioso argumentou que a igreja deveria ser como as cidades de refúgio que Deus designou para receber a quem matar uma pessoa involuntariamente. À primeira vista, tal argumento parece demonstrar estreito vínculo entre o papel da igreja com as seis cidades de refúgio; mas... Examinando cuidadosamente, a Igreja não tem nada a ver com Cidades de Refúgio, analisemos:

. AS CIDADES DE REFÚGIO - Antes que os israelitas tomassem a terra que o Senhor os dava por posseção, Deus deu mandamentos a Moisés para que instruísse o povo que separassem da terra três cidades de refúgio destinado a todo homicida involuntário, protegendo assim, a sua vida contra o vingador:

“Este é o caso tocante ao homicida que nelas se acolher, para que viva: aquele que, sem o querer, ferir o seu próximo, a quem não aborrecia dantes. Assim, aquele que entrar com o seu próximo no bosque, para cortar lenha, e, manejando com o impulso o machado para cortar a árvore, o ferro saltar do cabo e atingir o seu próximo, e este morrer, o tal se acolherá em uma destas cidades e viverá; para que o vingador do sangue não persiga o homicida, quando se lhe enfurecer o coração, e o alcance, por ser comprido o caminho, e lhe tire a vida, porque não é culpado de morte, pois não o aborrecia dantes.” (Deuteronômio 19:4, 5, 6). - O negrito é meu.

Assim, as cidades serviam para amparar apenas o homicida involuntário, inconsciente, irrefletido; isto é, a todo aquele que ferisse algum homem mortalmente sem o querer. Também, anteriormente Moisés já havia separado três cidades na Transjordânia (Deuteronômio 4: 41, 42, 43). O rabi Moshé Ben Maimon (Maimônides), em seu livro “Os 613 Mandamentos”, título original “TARIAG HÁ – MITZVOTH”, comenta:

“Por este preceito somos ordenados a separar seis Cidades de Refúgio que estejam prontas para receber a quem matar uma pessoa involuntariamente, e a construir estradas que levem a elas e a nivelar essas estradas, não deixando nelas nada que possa atrapalhar o fugitivo em sua fuga.” (Maimônides – Os 613 Mandamentos, pág. 158, Nova Stella Editorial, 1ª Edição: 1990. São Paulo – SP, Brasil). - O negrito é meu.

Destarte, pela lei divina o homicida involuntário não é culpado de morte, por não ter matado por querer, de forma não intencional.

. A IGREJA – Esta não pode ser comparada como Cidades de Refúgio, uma vez que a igreja é composta por todos os que dantes eram culpados de morte e para estes não havia cidades para se refugiar. A Igreja não é o refúgio, pelo contrário, é composta por todos os refugiados em Cristo, e esta foi comissionada a proclamar como único Refúgio o nome do Ser que pode tirar de nós toda a culpa ao morrer em nosso lugar, o nome do Senhor Jesus. Portanto, o Refúgio de todo pecador voluntário está em unir-se à Igreja - Corpo de Cristo - para estar debaixo da proteção do esposo Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ninguém se refugia em nome de igreja, mas em o nome do Senhor, pois em nenhum outro nome há refúgio ou salvação (Atos 4:12). A humanidade não é inculpável perante Deus (Romanos 3:10, 19, 20), sendo digna de morte pela mão divina. Para a humanidade caída não há cidade onde se possa esconder ou se refugiar da ira de Deus:

“Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? – Diz o Senhor; porventura não encho eu os céus e a terra? – Diz o Senhor.” (Jeremias 23: 24).

Somente o Senhor Jesus pelo Seu precioso sangue nos torna inculpáveis perante Deus, o Pai; justificando ou tornando-nos justos pela Sua obra expiatória consumada no madeiro da cruz. Todo pecador procura seu refúgio em o nome do Senhor Jesus, somente em Seu nome encontramos refúgio, guarida contra a morte; esta é a súplica de um ancião:

“Em ti me tenho apoiado desde o meu nascimento; do ventre materno tu me tiraste, tu és motivo para meus louvores constantemente. Para muitos sou como um portento, mas tu és o meu refúgio.” (Salmos 71: 6, 7).

Acerca do Senhor, o profeta Isaias, escreveu:

“Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro, como calor em lugar seco. Tu abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o hino triunfal dos tiranos será aniquilado.” (Isaias 25: 4, 5).

O Senhor conhece os que nEle se refugiam:

“O Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.” (Naum 1:7).

Isaias profetizou: 

“Cada um servirá de esconderijo contra o vento, de refúgio contra a tempestade, de torrentes de águas em lugares secos e de sombra de grande rocha em terra sedenta.” (Isaias 32:2).

Não somos nós mesmos quem fazemos isto, pois cada um dos servos do Senhor são instrumentos nas mãos de Deus para benefício da sua Obra na terra, sejamos, pois, humildes:

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.” (2 Coríntios 4:7).

Em razão disto, o Espírito Santo declarou:

“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2: 13).

Assim, fica claro que por meio dos embaixadores, Seus servos, o Senhor refugia a todos os pecadores que a Ele buscam salvação. Este sim, é nosso Alto Refúgio:

“Em ti, força minha, esperarei; pois Deus é meu alto refúgio.” (Salmos 59: 9). – O negrito é meu.

Romário N. Cardoso

Bibliografia:

. Kaldwell Rirye, Charles. A Bíblia de Estudo Anotada – Expandida, Almeida Revista e Atualizada. São Paulo: Mundo Cristão; Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007;
. Maimônides – Os 613 Mandamentos, pág. 158, Nova Stella Editorial, 1ª Edição: 1990. São Paulo – SP, Brasil;
. Houais, Dicionário Sinônimos e Antônimos – Versão Ampliada – Nova
Ortografia, 2ª Edição, Publifolha, São Paulo – SP, Brasil.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

HINO 401 – ENSINAMENTOS EXTRAÍDOS DA BÍBLIA

Este é outro hino que está sob ataque, e tido como 'herético' (?) para alguns:


401 – REVELA TEU QUERER

1.Revela, Criador, ao nosso coração,
O santo Teu querer, a Tua intenção;
Riquezas perenais de divinal fulgor,
Concede-nos Senhor.

Revela, ó bom Pai, rogamos com fervor,
Teus planos eternais, por Teu Consolador;
Precioso, para nós, é o santo Teu saber
Que nos fará vencer.

2.Oh! Faze-nos crescer na imagem de Jesus;
Queremos prosperar na graça e na luz.
Desvenda,ó Senhor, mistérios lá dos céus
E pensamentos Teus.

*O negrito é meu.

O "querer" de Deus, denota sua "intenção", seus "planos" ou "pensamentos eternais"; portanto, planos eternais nada mais são que pensamentos eternais. Não se justifica todo o barulho que alguns procuram criar em torno disto. Este belo hino reflete o amor e a misericórdia de Deus sobre seu povo. Nota-se ainda, que os vocábulos “planos eternais*” e “pensamentos*” descritos no hino, estão no plural. Assim, o projeto da salvação é apenas um (1) entre outros planos que Deus tem reservado ao seu povo. Se o hino estivesse se referindo unicamente à salvação, estaria escrito ‘plano eternal’, e não “planos eternais,” 'o mistério' e não "mistérios"; nota-se ainda que os vocábulos “plano” e “pensamento” são termos SINÔNIMOS:

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” (Jó 42:2 - ARA).

“Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.” (Jó 42:2 - ARC).

“Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.” (Jó 42:2 – ACF).

Em o coro do hino 401, irei apenas trocar “seis” por “meia-dúzia,” confiram:

“Revela, ó bom Pai, rogamos com fervor, Teus pensamentos/planos/propósitos eternais, por Teu Consolador;” (...). 

Ora, sendo que nenhum dos planos/pensamentos/propósitos/desígnios de Deus pode ser impedido, significa que são/serão concretizados, pois tudo quanto Deus faz permanece eternamente:

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.” (Eclesiastes 3:14).

Assim, cantamos ao Senhor pedindo-Lhe que Seus planos, pensamentos, propósitos que é o mesmo que “desígnios” em mistérios, nos sejam revelados:

“Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas.” (Amós 3:7).

Revelar, é trazer à luz o que está escondido, isto é, envolto em mistério: 

“Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.” (Daniel 2:22).

Quanto ao desvendamento do plural “mistérios”, cremos no que é afirmado pela Escritura:

“Mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de acontecer nos últimos dias; o teu sonho e as visões da tua cabeça que tiveste na tua cama” (...). (Daniel 2:28).

Como se pode ver, o plural “mistérios” se referem aos muitos segredos de Deus que, segundo a sua vontade, vai revelando aos homens. Embora as Sagradas Escrituras seja a revelação de Deus aos homens, nem tudo o que se encontra nEla está esclarecido. Não conheço nenhum mortal formado em Bíblia, ou que saiba todos os mistérios ocultos na Palavra de Deus. Todos somos alunos e aprendemos do único Mestre, o Senhor Jesus.

“Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar.” (2 Coríntios 12:4).

Como se pode ver, há muitas coisas no céu que está envolto em mistério, que ao homem não é lícito falar. Nota-se ainda, que quem foi arrebatado e ouviu tais “palavras inefáveis”, era um homem. Neste caso, quando o texto diz “que ao homem não é lícito falar”, fica subentendido homens incrédulos.

“E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas”. (Marcos 4:11).

O exemplo acima, é que os mistérios ditos por Jesus diz respeito à incompreensão das “parábolas” proferidas; mas aos Seus servos, os Segredos e/ou mistérios são revelados, esclarecidos. Há, pois, diferença no escrito do hino “mistérios” (sem artigo definido) contrastando com “o mistério” (com artigo definido). Isto, por si só, desqualifica as argumentações de vento com que procuram atacar o devido hino; não passam de argumentos vazios, espúrios.

Na Congregação do Senhor, cremos na revelação dos planos/pensamentos de Deus: 

“Se porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro.” (1 Coríntios 14:30).

Deus revelou o Seu plano a Abraão acerca de sua futura descendência (Gênesis 15:13,14). Francamente, não há nada de ‘herético’ (?) nisto, afinal, o Senhor também revelou a Daniel um de Seus planos/pensamentos a respeito da história (Daniel 7); revelou Seu plano através dos sonhos de José (Gênesis 37:5 ao 10).

Assim, os planos ou pensamentos de Deus são ocultos aos ímpios: 

“Acham-se, agora, congregadas muitas nações contra ti, que dizem: Seja profanada, e vejam os nossos olhos o seu desejo sobre Sião. Mas não sabem os pensamentos do Senhor, nem lhe entendem o plano que as ajuntou como feixes na eira.” (Miquéias 4:11,12).

O Senhor revelou o seu plano sobre Faraó e o devido efeito que isso iria causar no mundo:

“Mas, deveras, para isto te mantive, para mostrar meu poder em ti, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.” (Êxodo 9:16).

Portanto, os planos ou pensamentos de Deus produzem efeitos eternos, não podem ser mudados ou impedidos (Jó 42:2; Eclesiastes 3:14), a história da humanidade está sob o domínio de Deus que tudo sabe ou conhece. Além da salvação já revelada, há outros planos/projetos de Deus reservados a cada um de nós, Seus servos, tal como instrumentos para realização da Sua eterna vontade. Destarte, o título do hino 401, denota que os “planos, pensamentos ou propósitos” de Deus ensejam nosso clamor: 

                                                “REVELA TEU QUERER”.
 
Os planos de Deus manifestam Seu querer traçado na vida dos seus fieis, segundo Seus propósitos a serem cumpridos ainda neste mundo, cujos resultados culminam em galardão pela nossa dedicação e trabalho (Apocalipse 22:12).

Deus vos abençoe

Romário N. Cardoso

*Plano - Do hebraico “chashab”, refere-se basicamente a uma atividade mental de pensamento, juízo ou desejo, de uma obra ou ação: planejar, projetar, intentar, procurar. Outras definições lexicais são “propósito, espectativa, fito, ideia, intento, objetivo, programa, projeto, intenção”.