domingo, 30 de novembro de 2014

HÁ VIDA CONSCIENTE APÓS A MORTE?


O estado de consciência após a morte é algo que traz controvérsia entre muitos, digo isso no quesito de crenças diversificadas entre a cristandade. Alguns confundem a palavra “sono” ou “dormir” como sendo um estado de inconsciência e as referências que sempre procuram citar não possuem fundamentação de que não há consciência das almas dos mortos na esfera que agora estão, mas sim o fato de estarem alheios aos acontecimentos do mundo dos vivos. Infelizmente, há irmãos que creem no estado de inconsciência após a morte, mas vejamos o que dizem as Escrituras.

Quando as Escrituras usam o termo “dormir” referindo-se a morte, apenas está fazendo uso de uma metáfora pela semelhança entre uma coisa e outra:

”Este uso metafórico da palavra sono é apropriado, por causa da semelhança na aparência entre um corpo dormente e um corpo morto; tranquilidade e paz normalmente caracterizam ambos. O objetivo da metáfora é sugerir que assim como aquele que dorme não deixa de existir enquanto o corpo dorme, assim a pessoa morta continua a existir, apesar de sua ausência da região na qual aqueles que ficaram podem ter acesso ao corpo morto, e que, assim como sabemos que o sono é temporário, assim será a morte do corpo [...].” (E. Vine. W.; White Jr. William – Dicionário Vine – O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento, 2ª Edição 2003, pág. 578, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro, RJ, Brasil).

Sabemos que enquanto o corpo do cristão se desfaz no pó, sua personalidade espiritual permanece viva e parte para estar com Cristo (Filipenses 1.23). Foi o Senhor Jesus quem mostrou claramente o estado de consciência após a morte ao narrar sobre o rico e Lázaro (Lucas 16.19). Ambos morreram, o rico foi para o hades e Lázaro foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Cristo apresentou o estado de consciência das almas desencarnadas, pois ao rico lhe foi dito para se “lembrar” (Lucas 16.25) da vida que levava na terra, este confirmou sua consciência, pois se lembrou da “casa de seu pai e dos cinco irmãos” (Lucas 16.27,28).

É verdade que para alguns estudiosos se trata de uma ‘parábola’ (?), mas é contestado por outros. Algumas Bíblias trazem o título “A Parábola do Rico e Lázaro”, título este que não faz parte do texto Grego mas que é acrescentado por alguns tradutores por pensar ser uma parábola.
O importante, é que sendo parábola ou não, sabemos que a função da parábola é transmitir verdades espirituais. O rico depois de morto não sabia o que se passava sobre a terra, na casa do seu pai; mas sabia que pela vida que levavam na terra quando ainda estava entre eles, o destino deles seria o mesmo que o dele – o hades.

Abraão foi claro ao dizer que os vivos sobre a terra tinham “Moisés” (a lei) e “os profetas” (pregadores). Que deem ouvidos a eles, pois se não crerem neles tampouco crerão ainda que um dos mortos ressuscite.

Não obstante, alguns advogam que na morte os “pensamentos” perecem, e para isso evocam Salmos 146.4:

”Sai-lhes o espírito, volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.” (O negrito é meu).

Ora, amados em Cristo Jesus,  para nos desvencilharmos desse argumento apócrifo que procura associar o termo “pensamento” presente no referido texto como sendo “consciência”, é necessário recorrermos ao original hebraico para aniquilar de vez esse argumento estapafúrdio! A referida passagem nada tem a ver com estado de consciência, mas de projetos e planos para vida terrena. A palavra hebraica para “pensamento” no referido texto é ‘eshttonet, significando “plano, projeto” e não estado de consciência após a morte. Assim, o texto apenas expressa que na morte os homens são impedidos de concluírem seus projetos ou planos futuros, e é isso que Tiago adverte aos que fazem projetos/planos sem colocar a vontade do Senhor sobre eles:

”Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna.” (Tiago 4.13, 14, 15,16).

Tiago nos fala e exorta acertado com Salmos 146.4, pois todo projeto/plano (pensamentos para o futuro) termina e cessa com a morte. Ambos os textos nada diz sobre estado de consciência após a morte, mas de planos e projetos humanos. Para compreendermos, também, a ideia do que vem a ser a expressão “dormir” ou “sono” em conexão aos mortos, devemos analisar a origem da palavra cemitério:

”Os cristãos primitivos adotaram a palavra koimeterion (que era usada pelos gregos para designar albergue para estranhos), a fim de aludir ao lugar de sepultamento dos corpos dos que faleciam; daí a origem da palavra ‘cemitério’, que significa ‘dormitório’, ‘o lugar dos que dormem’. (E. Vine. W.; White Jr. William – Dicionário Vine – O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento, 2ª Edição 2003, pág. 578, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro, RJ, Brasil).

Assim, fica claro que o verbo “dormir” deve ser aplicado apenas ao corpo inerte e sem vida que irá para o “koimeterion” (cemitério = dormitório, o lugar dos que dormem), e não  a alma desencarnada que permanece vivo e que parte para estar com Cristo. No livro de Apocalipse, João viu as almas desencarnadas que clamavam a Deus pedindo vingança, pois se “lembravam” (Apocalipse 6.9,10) de que foram mortos, cujo sangue fora derramado sobre a terra. Vemos ai, mais um estado de consciência das almas desencarnadas.

As Escrituras dizem que o homem é alma vivente (Gênesis 2.7), conquanto falando do “físico” da vida do corpo, a alma pode ser ferida e morrer (Ezequiel 22.25,27); mas em se falando da alma que o homem tem “dentro dele” (Salmos 42.6) homem algum pode matar ou destruir, quem diz isso é Jesus:

”E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo”. (Mateus 10.28).

Deus vos abençoe

Romário N. Cardoso

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

AVISO A TODOS OS IRMÃOS:

Quem deseja entrar em contato comigo, favor contatar-me no seguinte endereço:

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Deus abençoe!
Romário N. Cardoso

domingo, 1 de junho de 2014

UM CORAÇÃO ENTREGUE A DEUS

Há quem discorda de que Deus queira somente nosso coração. Concordo, sim, com a ideia, e até a defendo. Quando entregamos nosso coração a Deus, depositamos em Suas mãos todo nosso ser, o controle total do nosso corpo e alma para que neles Seu Eterno nome possa ser glorificado. Entregando a Deus tão somente nosso coração, estamos entregando – da mesma forma - nossa mente que é a sede da vontade humana. Coração (hebr. lev’) em hebraico é sinônimo de “mente”, e o corpo faz o que é determinado pela mente, ou seja, pelo coração.

Jesus testificou isso:

“Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” (Mateus 15.18,19).

Assim, o corpo é o veículo pela qual a mente/coração usa para realizar e cumprir seus propósitos. O que fazemos ou falamos reflete o estado do coração. Portanto, um coração entregue a Deus é manifesto pelas suas ações, se agir contrário aos propósitos divinos significa que o coração está entregue aos desejos humanos e não ao divino. O corpo serve ao propósito da mente (coração), em razão disso as Escrituras advertem:

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4.23).

Não sou liberal, tenho um outro entendimento sobre a questão "entregar o coração a Deus", pois não o enxergo com um simples órgão do corpo; mas um membro que dirige e controla toda a vontade humana, e isso segundo as Escrituras, razão de Deus fazer tanta menção na Bíblia no tocante ao coração dos homens.

A sabedoria, diz:

”Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos.” (Provérbios 23.26).

Quem realmente entregou seu coração a Deus, vive de corpo e alma em comunhão com a mente/coração de Cristo, foi para isso que Ele veio, converter (mudar) o coração dos homens para Deus. Quem assim procede, guarda-se a si mesmo da corrupção do mundo e seus costumes, não se misturando com ele. Jesus Cristo veio ao mundo e lançou a semente para que fôssemos um diferencial como luz do mundo e sal da terra. Bons costumes têm tudo a ver com nosso bom porte cristão e o que vem a corrompê-los a Escritura chama de... “Más conversações” (1Cor 15.33).

Entregar o coração a Deus não é entregar um simples órgão do corpo humano, mas entregar o controle de todo seu ser ao domínio e disciplina do Eterno – enaltecido seja Ele.

quinta-feira, 20 de março de 2014

CULTO ÀS IMAGENS - CULTO A MARIA E REFUTAÇÃO

Todas as citações deste estudo estarão em itálico. O culto a Maria é algo peculiar do Catolicismo Romano e derivados, e Catolicismo Ortodoxo. A palavra “católica” deriva do grego significando “universal”, ao passo que “romana” é termo derivado de “Roma”. Há uma contradição entre esses dois termos pelo fato de Roma não ser universal e sim local. Portanto, é contraditório ser romana e universal ao mesmo tempo. É válido lembrar que o pecado também é "católico", isto é, universal; pois está presente em todo lugar, em cada ser humano. O Cristianismo sim, por ser universal é destinado a todos os povos, nações e línguas em razão de a salvação em Cristo Jesus ser proclamada a todos os homens (Atos 4.12). Nossa cidade está no céu, sendo esta chamada de “Jerusalém de cima” (Gl 4.26) e não Roma que é debaixo. Somos “o Israel de Deus” (Gl 6.16) e não, ‘Roma de Deus’ (?)!

Evangélicos procuram importar suas doutrinas unicamente das Escrituras Sagradas; diferentemente, o Catolicismo Romano diz estar fundamentada nas 'Sagradas Escrituras, Sagrada Tradição' e no 'Sagrado Magistério'. Portanto, quando ensinos Católicos Romanos não encontram respaldo nas Escrituras, passam a apelar para a "Tradição" e ao "Magistério". Sobre a pessoa de Maria, não é novidade apologistas Católicos argumentarem que não prestam adoração a Maria, mas veneração, como se veneração e adoração não fossem sinônimos em sentido religioso. É digno de nota que no Catolicismo Romano se presta culto às imagens – em particular à suposta imagem de Maria. Ora, segundo eles mesmos, apenas veneram as imagens dos ‘santos’ e não as adoram; não obstante, as próprias Bíblias Católicas aplicam as palavras venerar e adorar como sinônimas, como que trocando seis por meia dúzia, e isso no contexto Bíblico da idolatria:

ADORAR OU VENERAR

“Cativados pelo mal, não merecem esperar senão o mal, os que o fazem, os que o amam e os que o veneram.” (Sabedoria 15.6 – Bíblia Sagrada Ave Maria, Edição Claretiana – 2012 – Editora Ave Maria). – O negrito é meu.

“Esses amantes do mal merecem confiar em tais coisas: tanto os que as fabricam, como os que as amam e adoram.” (Sabedoria 15.6 – Bíblia Sagrada Tradução da CNBB com Introduções e Notas). O negrito é meu.

Conforme demonstrado acima, ambos os termos são sinônimos quando aplicado em sentido religioso (que fique claro), isto é comprovado pelo Dicionário Latino – Português:

“Adoratio, nis, app. f. (de adorare). (...) Apul. Supplica dirigida respeitosamente, adoração, veneração, culto a Deus, respeito profundo, ceremonia religiosa.” (F. R. Dos Santos Saraiva, Novíssimo Dicionário Latino – Português, Etimológico, Prosódico, Histórico, Geográfico, Mitológico, Biográfico, Etc. 12ª Edição, Livraria Garnier, Rio de Janeiro/Belo Horizonte – Brasil). O negrito é meu.

Ainda, outro Dicionário atesta o sentido religioso do termo:

“Adorar  v.t.d. 1) Render culto a uma divindade. 2) Venerar. 3) Amar extremamente, idolatrar.” (Minidicionário Português Com a Nova Ortografia da Língua Portuguesa – Edição Atualizada.  Editora Provenzano).

Como se pode ver, adoração e veneração são apenas palavras diferentes, mas que possuem o mesmo resultado no círculo religioso, cultual. A veneração a Maria mãe de Jesus é superlativa  no círculo Católico, certa literatura, diz:

“Não receia S. Bernardino de Sena concordar com a sentença de que “ao império de Maria todos estão sujeitos, até o próprio Deus”. Isto é, Deus lhe atende os rogos como se foram ordens.” (Afonso de Ligório, Santo. Glórias de Maria, pág. 152, Editora Santuário, Aparecida – SP – Brasil).

Heresia tal que... Dispensa até comentário! Difícil é imaginar Paulo, Pedro e os demais apóstolos juntos com a Igreja carregando imagens de escultura sobre os ombros em procissão pelas ruas. Impossível os apóstolos se ajoelharem perante Maria clamando por proteção, ou ainda rogando a ela. Nenhum dos apóstolos venerava Maria, estes desconheciam por completo a mega quantidade de crenças criadas em torno dela, tais criações nada tem a ver com os apóstolos. As Escrituras Sagradas não ensinam nenhuma devoção religiosa à Maria, muito menos que se deve rogar a ela com orações e súplicas.

O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

O Papa Pio IX declarou em 1854:

“A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original.” (Catecismo da Igreja Católica, 491).

Curioso, é que a outra ‘igreja’ Católica “Ortodoxa” contradiz esse dogma Romano crendo que Maria era pecadora. Quando a ‘igreja’ Romana afirma a ‘Imaculada Conceição’ (?) o faz estribada em Lucas 1.28, vejamos o que diz o texto, segundo uma Bíblia Católica:

“Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. (Bíblia Sagrada Ave Maria, Edição Claretiana – 2012 – Editora Ave Maria).

Ave, é saudação latina:

“Ave, seg. pess. Sing. Imper. de avere. Bom dia, Deus o salve.” (F. R. Dos Santos Saraiva, Novíssimo Dicionário Latino – Português, Etimológico, Prosódico, Histórico, Geográfico, Mitológico, Biográfico, Etc. 12ª Edição, Livraria Garnier, Rio de Janeiro/Belo Horizonte – Brasil).

Portanto, à luz do latim “Ave, cheia de graça” significa “bom dia, cheia de graça”, ou ainda, “Deus a salve”. Esta última, ela entendeu, pois confessou que seu espírito se alegra em “Deus, meu Salvador” (Lucas 1.47), isto é, alegrou-se em Jesus o Salvador dela e de todos os outros pecadores. Se Maria não tivesse pecado, não necessitaria de salvador, salvava-se a si mesma. Em Grego, cheia de graça corresponde a “charitóõ” (Lucas 1.28); tal graça não é exclusividade de Maria, pois o mesmo vocábulo dirigido a Maria também é dito acerca da Igreja, “charitóõ”, cheia de graça (Efésios 1.6); não sendo, portanto, exclusividade de Maria.

Em Gênesis 3.15, dizem ainda que quem esmagará a cabeça da serpente é ela, Eva; pois a Bíblia Vulgata diz “ela” (lat. ipsa) e não “ele” (lat. ipsi).  Os Católicos romanos dizem isso porque afirmam ser Eva um tipo de Maria - ela. A Bíblia Vulgata nada mais é do que uma “tradução” que não satisfaz - neste quesito - o Grego (Septuaginta) muito menos a Bíblia Hebraica. O Texto da Septuaginta diz ‘autós sou terései kephalen” (ele te esmagará cabeça) e o original Hebraico diz “hu’ (ele) yeshufkha ro’sh ve’attah teshufennu ‘aqeb” - ele (hebr. hu’) te esmagará cabeça, e tu esmagarás calcanhar”.

Portanto, quem esmagará cabeça da serpente é ele (hebr. hu’; gr. autos) – Jesus Cristo, e não Maria. A Vulgata traduziu o pronome masculino (hebr. hu’) de forma para lá de equivocado (no feminino, lat. ipsa), e essa crença Católica não se sustenta pela “raiz” que é o original Hebraico, muito menos pelo tronco que é a versão dos Setenta (LXX)!

CULTO ÀS IMAGENS

Para “explicar” que não são idólatras, apologistas Católicos argumentam haver três tipos de “culto”, denominados por eles de “latria” (culto exclusivo a Deus); “dulia” (douleuo - servir) culto ‘aplicável aos santos’ (?) e “hiperdulia” (hyper – acima de; douleuo – servir), hyperdouleuo, significa “servir acima de” aplicam a Maria um serviço acima de, ou mais que os outros.

Ora, não é o fato de apresentarem outras palavras que o significado não seja o mesmo de adorar, ledo engano! Como Cristãos, não devemos prestar culto a nenhuma criatura, e isso independe das variações de nomes, se proskyneo, latria, douleuo ou hyperdouleuo! Quando se diz “culto”, de modo insofismável diz respeito ao campo religioso, significando adorar. Quem diz isso é a própria literatura Católica Romana – artigo acadêmico! Vejamos o que diz tal publicação da Editora Paulus:

“Douleuõ: vb. (...) 2. transl.: em sentido religioso, teológico: a. prestar culto, adorar: Rm 12,11”. (Rusconi, Carlo, Dicionário do Grego do Novo Testamento, Editora Paulus, São Paulo – Brasil).

Assim, a própria literatura Católica é quem afirma que o termo douleuo aplicado no sentido religioso para culto, é adorar! Quando Católicos prestam culto de “douleuo” às imagens, ou ainda hyperdouleuo à Maria estão na verdade adorando-as, praticando idolatria.

O referido Dicionário apontou Rm 12,11, vejamos quem é digno do culto de douleuo:

 “Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo (Gr. douleuo) sempre ao Senhor”. (Romanos 12,11). O negrito é meu.

Como pode ser constatado pelo texto Bíblico, “douleuo” (servir) em sentido religioso de culto é “sempre ao Senhor”, a ninguém mais! Notem que o texto afirma que o nosso douleuo é “sempre ao Senhor”... Sempre! Mas na contramão da Escritura os Católicos Romanos exigem uma “hyperdouleuo” (servir acima de, mais que) o Senhor. Para Deus, conforme o texto Bíblico, “culto de douleuo”; mas para Maria, “culto acima de” (hyperdouleuo) o Senhor? Trata-se de uma heresia, pois nenhuma criatura é digna do nosso douleuo no sentido de culto, imagine então dar hyperdouleuo... É honrar e servir a criatura mais que o Criador, para longe de nós tal heresia!

Imagine então excluir Deus de uma expressão Cristã e no lugar substituí-Lo por Maria, impossível? – De modo algum. Isso já foi feito por um servo de Maria que, na ânsia de exaltá-la, a colocou num lugar que pertence a Deus, confira:

(...) “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8,31).

(...) “Se Maria é por nós, quem será contra nós?” (Afonso de Ligório, Santo. Glórias de Maria, pág. 90, Editora Santuário, Aparecida – SP – Brasil).

Ora, o serviço que todos os cristãos tributam a Deus é serviço cultual, adoração; assim, porventura não estão a nivelar a escrava Maria com o seu Criador dando a ela o mesmo servir (douleuo) que é dado ao Deus criador? - Confira:

“De modo que, na frase de S. Bernardino de Sena, quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas também devem servir a Maria.” (Afonso de Ligório, Santo. Glórias de Maria, pág. 35, Editora Santuário, Aparecida – SP – Brasil).

Mas que ousadia! Nós Cristãos não servimos a Deus no mesmo sentido que servimos uns aos outros. Para Deus, nosso "servir" (dulia) é cultual, é adoração (proskyneo; latreia; douleuo), a ninguém mais! Exigem "também" para Maria o "servir" (dulia) que é dado a Deus!

"Respondeu-lhe Jesus: “Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Deut. 6,13).” (Mateus 4.10 - Bíblia Sagrada Ave Maria). - O negrito é meu.

No texto grego o vocábulo "adorarás” não é latria, mas “proskyneo”! Ao passo que “servirás” é “latria”. Para repreender Satanás, Jesus evocou o texto Hebraico de Deuteronômio 6.13, e no texto Hebraico o correspondente de latria é ‘aba, vejamos o significado de ‘aba no Dicionário Bíblico Hebraico – Português da Editora Paulus, uma Editora Católica Romana:

“ ‘aba 4. Campo do culto. A) Venerar, servir, adorar.” (Alonso Schokel, Luis. Dicionário Bíblico Hebraico – Português, pág. 474, 3ª Edição 2004, São Paulo – Brasil).

Como se pode ver, latria em Hebraico é ‘aba, significando “venerar, servir, adorar”. Assim, quando se “venera” Maria e imagens, estão na verdade “servindo-as ou adorando-as”, cuja palavra em grego nada mais é que latria - consequentemente - idolatria! Simples assim. É o que sempre venho dizendo, em sentido religioso “venerar” é o mesmo que “adorar”, douleuo significa “servir”, o mesmo significado hebraico de ‘aba o qual corresponde ao grego latria... E isso é comprovado pelos artigos Bíblicos Acadêmicos da própria ‘igreja’ Romana.
 
Portanto, na sã doutrina deixada pelos apóstolos não há lugar para que se possa servir ou prestar culto a “escravos”, mas ao Senhor deles.

CULTO À MARIA

Assim consta no Catecismo da Igreja Católica:

“Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.” (Catecismo da Igreja Católica 971).

Ora, o fato de Maria ser bem-aventurada não lhe confere nenhum direito de ser “cultuada”, pois o ato de cultuar é intrínseco à adoração! Isso já foi explicado anteriormente sobre os termos adoração/veneração, latreia, douleuo e hyperdouleuo. A primeira pessoa a chamar Maria de bem-aventurada – talvez no intuito de exaltá-la mais que as outras santas de Deus – foi uma mulher dentre a multidão, a qual Jesus replicou estendendo essa bem-aventurança a todos os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam:

“Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!” Mas Jesus replicou: “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lucas 11. 27,28 – Bíblia Sagrada Ave Maria).

É o que nós evangélicos fazemos, seguimos o exemplo dado pelo Senhor Jesus e também replicamos, pois essa bem-aventurança é estendível a todos os que ouvem a palavra de Deus e a observam.

Literatura Católica, afirma:

“Não sabeis que é ela a única cidade de refúgio e a única esperança dos pecadores? Também nos sermões atribuídos a S. Agostinho, Maria é chamada nossa única esperança.” (Afonso de Ligório, Santo. Glórias de Maria, pág. 105, Editora Santuário, Aparecida – SP – Brasil).

Só se for única esperança dos Católicos Romanos, pois a única esperança Cristã está depositada sobre a pessoa do Senhor Jesus, pois debaixo do céu nenhum outro nome foi dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos:

“Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4.12).

Portanto, não há salvação no nome de Maria, Pedro ou qualquer outro “santo”, unicamente há salvação no nome do Senhor Jesus, outro nome não leva a lugar algum a não ser ao campo dos perdidos.

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Romanos 10.13).

No livro “Glórias de Maria”, escrito por um 'doutor' e ‘santo’ do Catolicismo Romano, conhecido por “santo Afonso Maria de Liguori”, tributam a Maria os nomes de “Divina Mãe, onipotente, onividente, porta do céu, única esperança”, etc. Todos esses nomes não são aceitos pelos Evangélicos exatamente pelo fato de as Escrituras Sagradas serem nossa única regra de fé e prática, conforme consta em nossa doutrina.

Ao invocar outro nome para ser salvo, é estar com passagem falsificada, entrar em barco furado e fazer morada nas profundezas. Que Deus nos livre disso! 

Há ainda muitos ensinos estranhos às Escrituras referente a pessoa de Maria, serva de Deus, mas que não foi mencionado aqui para não alongar muito esse estudo.

Romário N. Cardoso

sábado, 15 de fevereiro de 2014

RESPOSTA À UM SUPOSTO JUDEU SOBRE ISAIAS 7.14

Tive um diálogo no facebook com um suposto judeu, o mesmo questionou o vocábulo "virgem" presente em Isaias 7.14 (hebr. Yesha'yahu 7.14), supondo que havia um deslize em Mateus 1.23. Segundo ele, Em Isaias 7.14 o vocábulo Hebraico que ali consta não significa "virgem", mas "jovem"; minha resposta segue abaixo:

Prezado XXX

A atual interpretação que o judaísmo faz de Isaias 7.14 onde - segundo rabinos - o termo hebraico 'almah não significa virgem (jovem virgem), não procede. Antes do nascimento de Yeshua (Jesus), nenhum judeu procurou "reavaliar" (?) o significado do termo virgem (Isaias 7.14) na Septuaginta. Foram os próprios judeus, sábios da Torah quem traduziram o Tanakh para o grego, nessa tradução judaica por nome Septuaginta, em Yesha'yahu 7.14 o hebraico 'almah corresponde ao grego "parthenos' (virgem), foi esse o sentido e significado dado naquela época pelos escribas e sábios da Torah.

Parece muito suspeito que tempos depois de Yeshua e do surgimento do cristianismo, rabinos tenham procurado 'reavaliar' o significado do termo... Não seria para desassociar Isaias 7.14 de Mateus 1.23?

Em dois lugares da Septuaginta, escribas judeus traduziram 'almah por parthenos (virgem), a saber, Bereshît 24.43 e Yesha'yahu 7.14. Diga-me... Em Bereshît 24.43, o vocábulo 'almah significa moça que já "conheceu" varão ou, moça "virgem"? - Creio que irá optar pela segunda. Ainda, a própria Rebeca, chamada de 'almah em Bereshît 24.43, em 24.16 é chamada b'tulah (virgem). Assim, é notório que 'almah se refere à mulher virgem.

Não é contraditório você questionar a tradução "virgem" (hebr. 'almah) de Yesha'yahu 7.14, sendo que os próprios rabinos atuais traduziram o plural 'alamot por "virgens"? - Confira:

"Teus unguentos são bons para cheirar; o Teu Nome é como o unguento derramado, e por isso as virgens (hebr. 'alamot) Te amam." (Shir Hashirim 1.3 - Bíblia Hebraica - Baseada no Hebraico e à luz do Talmud e das Fontes Judaicas, Editora e Livraria Sêfer Ltda, São Paulo - SP, Brasil). - O parênteses e negrito são meus.

Portanto, o plural de 'almah (Yesha'yahu 7.14) é 'alamot (Shir Hashirim 1.3).

Em ambos os casos (Isaias 7.14 e Cantares de Salomão 1.3) são indicadores de virgem e virgens. Nada há de errado em Mateus 1.23 (virgem), tratando-se apenas de exegese equivocada do ilustre interlocutor.

Shalom

Romário N. Cardoso

domingo, 12 de janeiro de 2014

BATISMO: ASPERSÃO OU IMERSÃO?

O batismo nas águas, a imersão, é a forma pela qual está expressa nas Escrituras neotestamentárias, sendo praticada pelos batistas e outros ramos do cristianismo, também pelos pentecostais e seus derivados. Do outro lado, boa parte do protestantismo adota o modo da 'aspersão', isto é, aspergir ou borrifar com água. Afirmam ainda haver 'embasamento' escriturístico quanto à prática aspersionista. Isto é prova de que milhões de pessoas discordam entre si quanto à forma do batismo nas águas se por aspersão ou, imersão.

O autor deste artigo é imersionista e, como tal, tem dialogado com defensor aspersionista assim como tem lido obras em defesa da aspersão. Neste estudo apresento vários textos que um ferrenho aspersionista poderá utilizar contra a imersão para 'provar' (?) a aspersão como uma suposta prática neotestamentária. Nada melhor do que deixar a própria Bíblia responder por si mesma, livre de argumentos filosóficos e malabarismos teológicos. 

Será utilizado o grego do Novo Testamento, o Grego koiné, assim como o Hebraico do Antigo Testamento servindo este como transfundo semítico da ideia ou linha de pensamento dos escritores da Bíblia, afinal, eles eram judeus. O Tanakh - o Antigo Testamento - eram as Escrituras utilizadas pela Igreja nos primeiros anos de sua existência. Importante, então, é saber o significado de uma palavra grega e seu equivalente no hebraico, muito embora a língua aramaica esteja em uso nos dias de Jesus, esta não muda o significado dos termos aqui apresentados. 

 BATISMO: ASPERSÃO OU IMERSÃO?

A palavra "batismo" deriva do grego "baptisma" que consiste nos processos de "imersão, submersão e emerção" (derivado de baptõ, "imergir"). João é chamado de "o batista", isto é, o batizador, por causa de sua relação em "imergir ou mergulhar" as pessoas nas águas. O poeta christão Sedulius, um romano, afirma que "batista é o que mergulha, immerge, o que baptiza; por excellencia, S. João Baptista, precursor de J. Christo."

A palavra "batismo" ocorre 20 vezes no Novo Testamento com mais duas variantes textuais em Mateus 20.22,23.

A palavra "aspersão" deriva do grego "rhantismós" (aspersão) e ocorre 2 vezes nas Escrituras neotestamentárias, a saber, "Hebreus 12.24" e "I Pedro 1.2". O verbo "rhantizõ" (aspergir) ocorre 5 vezes e é a forma mais recente de "rhainõ" (aspergir). O vocábulo rhantizõ (aspergir) ocorre apenas em Mc 7.4; Hb 9.13,19,21; 10.22".

Os verbos "baptõ" (batizar) e "rhantizõ" (aspergir) não são sinônimos e possuem aplicações distintas. O vocábulo "batizar" (baptõ) se refere a "mergulhar/molhar", onde o rico pede a Abraão que Lázaro "molhe" (baptõ= imergir num fluído) a ponta do dedo na água (Lc 16.24). É notável que em lugar algum do Novo Testamento se usa "rhanstismós" (aspersão) ou "rhantizõ" (aspergir) quando o caso é batizar ou imergir na água. O vocábulo "batismo" como já foi dito NÃO DERIVA de 'rhantizõ' (aspergir), mas de "baptõ" (imergir).

O vocábulo hebraico para "imergir" é taba' (imergir, afundar), diferentemente "aspergir" provém do hebraico "zarah" (aspergir, esparramar).

Tendo isto em mente, passo agora aos questionamentos aspersionistas, assim como as devidas respostas aqui elaboradas:

DA ÊNFASE ERRADA SOBRE O BATISMO COM ÁGUA

1. Dizem que Jesus nunca pregou sobre o batismo com água muito menos os apóstolos.

R. É verdade que o centro das pregações do Senhor Jesus e dos apóstolos era o arrependimento do pecador pela exposição das Escrituras, isso ocorre internamente em cada um de nós pela operação do Espírito Santo (João 16.8). Mas desde o príncípio de Seu ministério Jesus (ou os apóstolos) passou a batizar e todos iam ao encontro dEle (João 3.26).

2. Alegam não haver menção de que os escritores do Novo Testamento - com exceção de Paulo - tenham sidos batizados nas águas, pois a Bíblia silencia sobre isso.

R. Tal silogismo é completamente infundado, pois está a equiparar o ministério apostólico com a seita dos fariseus por ensinar e não praticar (Mt 23.3), taxando-os de hipócritas - ainda que indiretamente. Jesus ordenou aos discípulos que ensinassem as nações, quem dentre elas crer, é ordenado que seja batizado (Mc 16.16). Assim, tal silogismo contraria diametralmente o caráter dos ensinos cristãos que é praticar o ensino que se prega.

O BATISMO COM ÁGUA - SINAL DA REALIDADE ESPIRITUAL

3. Dizem que o batismo nas águas é um "tipo" do batismo com o Espírito Santo.

R. De modo algum. O batismo nas águas é um tipo da morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus e do convertido com Ele na sua morte (Cl 2.12). Em lugar algum das Escrituras o batismo com o Espírito Santo tipifica morte, sepultamento e ressurreição. O batismo do Espírito é distinto daquele, sendo uma arfimativa de que o crente é envolvido para dentro do poder do Espírito, um "revestimento" (Lc 24.49). No grego neotestamentário "revestir" é o verbo "enduõ" (ir sob, imergir-se), é descrito como que havendo "rios" (gr. potamoi) de "água" (gr. hydatos) fluindo (João 7.38) do nosso interior. Para esse abastecimento de água em si mesmo, o cristão precisa de "enduõ" (ir sob, imergir-se) no rio dos rios, o "rio" de Deus (Apoc. 22.1). O cristão é, verdadeiramente, imerso (batizado) no Espírito.

OS COSTUMES JUDEUS

4. Alegam alguns aspersionistas que nas catacumbas de Roma há figuras de 'batismo' (?) por aspersão em que água é derramada sobre a cabeça do batizando.

R. Quanto a isso, o exegeta N. Lawrence Olson explica que "seria muito difícil pintar uma pessoa mergulhada, e que por isso o artista escolheu a atidude que mais lhe servia." Se quando ainda vivos os apóstolos combatiam enxurradas de "heresias" (1 Cor 11.19) que brotavam nos meios cristãos, o que dizer então depois da morte deles? Em razão disso, a forma da aspersão não era universalmente aceita no período pós-apostólico, sendo praticada apenas em casos excepcionais (batismo klinikoi = batismo na cama) e mesmo assim sempre encontrou contestação. Entre os judeus, quando um gentio (um prosélito) se converte ao judaísmo lhe é ministrado um "batismo" (imersão nas águas), tal prática já existia no judaísmo desde tempos imemoriais, eis um comentário rabínico:

"Quando uma pessoa se converte ao judaísmo, ela deve demonstrar através de atos positivos, o seu desejo de mudar de religião. Para ambos os sexos, a imersão em um banho ritual (micvá) tem sido uma exigência antiga. A Bíblia fala sobre a imersão como uma ação necessária para restabelecer o estado de pureza de uma pessoa. Muitos judeus ortodoxos visitam a micvá quando estão se preparando para o shabat e os dias de festa." (Kolatch, Alfred J., Livro Judaico dos Porquês, pág. 318, 3ª Edição, Editora e Livraria Sêfer, São Paulo, SP - Brasil).

Também, quando uma pessoa se converte a Cristo ela é imersa nas águas, a imersão já era adotada pelos judeus e foi com a imersão que João batista apareceu batizando no rio Jordão. A Igreja em seus primeiros anos era composta unicamente de judeus.

O QUE REQUERIA A LEI JUDAICA

5. Alegam que a Lei requeria a circuncisão (Lv 12.3), mandamento que foi cumprido por Jesus aos oito dias de Seu nascimento. Argumentam que um levita para ser consagrado ao sacerdócio se dá apenas com trinta anos (Nm 4.47) sendo borrifado com água para ser purificado (por ser impuro) e tomar um novilho para oferta de seus pecados (Nm 8.8).

R. Os levitas (Jesus não era levita) para serem consagrados ao ministério a Lei determinava os seguintes atos: "borrifa de água, passar navalha sobre sua carne e lavar as vestes" (Nm 8. 7) para se PURIFICAREM. Jesus não era levita muito menos pecador, em razão disso não foi preciso cumprir nenhum desses requisitos de "purificação" (borrifa de água, passar navalha sobre a carne e lavar as vestes), pois seria o mesmo que assinar Seu atestado de impureza, maculado pelo pecado. Um levita deveria ainda tomar um novilho com a sua oblação de flor de farinha de trigo amassada com azeite, e mais outro novilho, por oferta do pecado (Nm 8.8). Jesus, por não ser levita muito menos "pecador ou impuro", não precisou ser borrifado com água e cumprir todas as exigências da Lei. O Sacerdócio do Filho de Deus era completamente distinto daquele. João Batista sabia que "o cordeiro de Deus" era sem mancha e, por isso, não precisava ser borrifado para se purificar, muito menos aparecer com novilho por oferta dos pecados conforme a Lei do levirato. Essa era a Lei que estabelecia o sacerdócio pela linhagem da tribo de Leví, mas que não se destinava a Jesus por ser da tribo de Judá.

O Seu "batismo" (imersão) no rio Jordão era o início de uma nova era, o cumprimento de "toda a justiça" (Mt 3.15) que não pôde ser cumprida pela Torah (Lei), mas pela graça do Filho de Deus e Jesus mostrou isso pela imersão nas águas (mergulhando e ressurgindo) o que denotava o dramático acontecimento de Sua "morte, sepultamento e ressurreição" (Cl 2.12) morrendo em nosso lugar cumprindo assim a exigência da justiça divina. Jesus é o nosso "cordeiro" substituto.

 NAAMÃ E SEU MERGULHO NO JORDÃO

6. Advogam alguns aspersionistas que Naamã desobedeceu a ordem de Eliseu (II Reis 5.10) por ter mergulhado ou imergido (II Reis 5.14) no Jordão.

R. Não é isso que vemos em II Reis 5.14, pois o texto afirma o contrário:

"Então desceu, e mergulhou (gr. bapto) no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus" (...).

Então, Naamã entendeu que o "lavar-se" era por meio do mergulho, o qual é confirmado pelo texto, pois o ato foi "conforme a palavra do homem de Deus", isto é, conforme a intenção do profeta.

A palavra grega bapto (mergulhar) possui o seu equivalente hebraico taba' (afundar):

"Jogou no mar os carros do Faraó e seu exército, e os escolhidos de seus valentes foram submersos (gr. bapto; hebr. taba') no mar Vermelho." (Êxodo 15.4).

O vocábulo grego e seu equivalente hebraico (gr. bapto; hebr. taba') também fala de os pés estarem afundados:

(...) "Teus pés afundam (hebr. taba'; gr. baptõ) na lama e eles se retiram." (Jeremias 38.22).

Como se pode ver, o vocábulo grego "bapto" de onde deriva o termo batismo, se refere a estar dentro e debaixo; mergulhar, afundar.

BATISMO NO MAR E NA NUVEM

7. Questionam o fato de Deus ter batizado Seu povo "no mar e na nuvem", conforme relato de Paulo em 1Coríntios 10.2. Afinal, dizem, se "bapto" significa imergir, afundar, o povo foi imergido no mar?

R. O argumento aspersionista é capcioso. Mas, a ideia do termo "batismo" requer que o batizando esteja no "interior" da água, o que vem a denotar estar " entre, debaixo d'água e ressurgir dela". O batismo cristão é símbolo de "morte, sepultamento e ressurreição" (Cl 2.12). No mar os judeus estavam em lugar fundo e rodeados por gigantescas muralhas de águas, por cima havia tão grande e colossal nuvem que os encobriam completamente. Eles estavam no interior das águas, tal como o sepucro de Jesus na rocha escavada. O sepulcro de Jesus era uma caverna em que se podia entrar e caminhar dentro da rocha, assim era a cova (Gn 23.19) que Abraão comprou para sepulcro de Sara, em cuja cova também foi ele sepultado (Gn 25.10).

Para "cova" (caverna), o vocábulo hebraico é me'areh (cova, caverna, covacho, gruta, antro, refúgio). No mar, Deus proveu uma cova ou gruta de águas para refúgio e salvação de Seu povo; nós os cristãos fomos pelo batismo mortos com Cristo e sepultados com Ele em Sua "cova, caverna, sepultura" (Mt 27.60; Cl 2.12) e ao sair de dentro dela também tomamos parte em Sua ressurreição. No mar e na nuvem, os judeus estavam numa cova ou caverna de águas feita pelo Eterno, enaltecido seja Ele. A 'aspersão' (?) de modo algum denota ou transmite a ideia de estar dentro duma cova ou caverna formada por águas; a imersão é o mais puro e real sentido de se estar no interior e coberto pela água. Batizados no mar e na nuvem, significa que os judeus deveriam considerar-se mortos e sepultados quanto à forma de escravidão e vaidades (idolatria) aprendidas no Egito para entregar-se ao único e Soberano Deus. Eles foram batizados no mar, mas saíram do interior das águas para um novo horizonte que Deus lhes abria.

FALTA DE RIO E AUSÊNCIA DA MENÇÃO DE MUITAS ÁGUAS

8. É comum os aspersionistas argumentarem que em Jerusalém não havia rio para os apóstolos batizarem quase três mil pessoas (Atos 2.41), e que as Escrituras não dizem em que lugar de Damasco Paulo foi batizado (Atos 9.18), há o caso de Filipe e o eunuco (Atos 8.36), etc.

R. Estas são as passagens prediletas dos aspersionistas que costumam invocar contra a imersão. Embora não haja rio na cidade de Jerusalém, a mesma era abastecida por vários aquedutos, água era o que não faltava em Jerusalém, além de que havia adicionalmente muitos "tanques" (hebr. micvá) ao pé do monte do Templo para imersão dos judeus nos dias das grandes festas judaicas, foi nesse período de festa que cerca de três mil judeus foram batizados. Nota-se que os judeus fazem menção desses grandes abastecimentos de águas em Jerusalém:

"A Bíblia fala sobre a imersão como uma ação necessária para restabelecer o estado de pureza de uma pessoa. Muitos judeus ortodoxos visitam a micvá quando estão se preparando para o shabat e os dias de festa." (Kolatch, Alfred J., Livro Judaico dos Porquês, pág. 318, 3ª Edição, Editora e Livraria Sêfer, São Paulo, SP - Brasil).

Quanto à conversão e batismo de Paulo em Damasco, é necessário esclarecer que a cidade é banhada por dois rios, um deles se divide em sete braços como em forma de leque. Água também não era problema, em um desses rios foi o apóstolo batizado. Aliás, é contraditório os aspersionistas dizerem "imergir/afundar" (batizar) por "aspergir" (chuviscar).

Quanto ao diácono Filipe ter batizado o eunuco, embora tal passagem não conste em certos manuscritos se faz presente em outros; o modo foi por imersão. O eunuco avistou água suficiente em que pudesse ser imergido:

"E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro e desceram ambos à água, tanto Filipe quanto o eunuco, e o batizou." (Atos 8.36, 37, 38).

Ora, por certo o viajante eunuco levava água de reserva em odres para beber pelo caminho, bastava ele pedir para Filipe pegar um odre de água e derramar um pouco sobre sua cabeça e já estaria 'aspergido' (batizado?)! Por que não o fez? - Porque sabia que um prosélito é imergido:

"Quando uma pessoa se converte ao judaísmo, ela deve demonstrar através de atos positivos, o seu desejo de mudar de religião. Para ambos os sexos, a imersão em um banho ritual (micvá) tem sido uma exigência antiga." (Kolatch, Alfred J., Livro Judaico dos Porquês, pág. 318, 3ª Edição, Editora e Livraria Sêfer, São Paulo, SP - Brasil).

Ele era um prosélito do judaísmo, pois estava voltando da "adoração" em Jerusalém e sabia que estava aderindo e se tornando membro do Corpo dos que creem que Jesus é o Filho de Deus. A forma de exteriorizar sua crença era a tão conhecida pelos prosélitos, a imersão, tal qual havia feito anteriormente quando se convertera ao judaísmo.

O vocábulo hebraico para "imergir" é taba' (imergir, afundar), diferentemente, o termo "aspergir" corresponde ao termo hebraico "zarah" (aspergir, esparramar).

Finalizando, ainda há muitos outros textos que se fossem aqui comentados, alongaria mais ainda este artigo. Creio que os aqui apresentados são suficientes. Para um bom entendedor, nada mais precisa.

Romário N. Cardoso

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

EDIFICADOS SOBRE PEDRO? - UMA OVA!

"Por isso, eu te digo: tu és Pedro (gr. petros), e sobre esta pedra (gr. petra) edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la." (Mateus 16.18).

Com base neste texto, em quem a Igreja está edificada, Pedro, ou Jesus?

Em lugar algum os escritores da Bíblia usam "petros" para pedra. O apóstolo João diz que o aramaico Cefas não é interpretado por "petra" mas "petros":

"E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: "Tu é Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (o que é interpretado Petros)." (João 1.42).

O vocábulo grego "petra" ocorre 15 vezes no Novo Testamento, a saber Mt 7.24,25; 16.18; 27.51,60; Mc 15.46; Lc 6.48; 8.6,13; Rm 9.33; 1Cor 10.4; 1Pe 2.8; Ap 6.15,16.

No deserto os Judeus beberam duma "petra" que os seguia:

"E beberam da mesma fonte espiritual; porque beberam duma pedra (gr. petra) espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo." (1Cor 10.4).


Essa mesma pedra está em operação na Nova Aliança clamando para que todos venham beber dela:

"No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba." (João 7.37).

Cristo é a pedra (gr. lithos) de tropeço e rocha (gr. petra) de escândalo:

"E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados." 1Pe 2.8.

A rocha de escândalo é Cristo:

"Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos." (1Cor 1.23).

Sobre essa rocha (gr. petra) de escândalo é que nossa "casa" está edificada:

"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (gr. petra). (Mt 7.24).

Essa rocha (gr. petra) é o fundamento pela qual a Igreja está edificada, não há outro fundamento a não ser Cristo. O apóstolo Paulo diz que nem ele mesmo, ou Apolo, ou Cefas é fundamento da Igreja, a doutrina Cristã é que não se pode por outro fundamento a não ser Cristo:

"Porque ninguém pode por outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." (1Cor 3.11).

Em grego, "fundamento" é "epoikodomeõ" (edificar sobre), portanto, Cristo falava de si mesmo em Mateus 16.18 e não de Pedro. A única pedra (gr. petra) de fundamento da Igreja é Cristo, não se pode por outra por ser insubstituível, permanente e eterna. A Igreja está edificada e bebe da pedra (petra) que é Cristo, e não Pedro.

Colocar Pedro como fundamento no lugar de Cristo é uma heresia da 'igreja' de Roma. A Igreja de Cristo está "edificada sobre" (epoikodomeõ) a rocha (petra) (Mt 7.24), nem mesmo os inimigos da Igreja qual "chuva, rio e ventos de destruição" (Mt 7.25) a conseguiu destruir no decorrer da história sobre as mais crueis formas de perseguição.